• Júlia Orige

Londres, o meu amor de verão - Dia 1



A nossa visita a Inglaterra foi o meu amor de Verão. Partimos de Portugal a dia 27 de Junho de 2014, e voltámos dia 3 de Julho do mesmo ano. Uma semana para apreciar uma cidade que é bem capaz de ter mais habitantes que todo o meu país (não é difícil, Portugal é um país pequeno, cada vez menos habitado, diga-se).


Fui com o meu pai (Paulo), a mulher dele (Isabel), o meu irmão (André), a mulher do meu tio (Sílvia), e a minha prima (Beatriz). Eu nunca tinha viajado de avião. Apesar de morar na Europa e ter todo país e mais algum ao meu alcance, nunca tivera A OPORTUNIDADE de visitar outro lugar, à parte de Espanha, que se vai de carro. Nunca tive medo de alturas, pelo que quis logo ir à janela, para poder observar todos os pormenores da viagem. Como qualquer estreante em viagens de avião, deslumbrei-me com as núvens vistas de longe, e com a maneira como tudo é visto lá de cima. Essencialmente, pude notar que as zonas de campo em Portugal são totalmente aleatórias, enquanto que, em Inglaterra, tudo tem uma estrutura pensada e trabalhada.

Ser cidadã europeia tem vantagens: o livre trânsito é uma delas. Não precisámos de grandes filas para sair do Aeroporto e, na zona do controlo de passaportes, todos passámos automaticamente, por termos um cartão de cidadão, válido em toda a Europa. Não fiz passaporte. O meu pai também não trocou DINHEIRO EM nenhuma casa de câmbio. Em qualquer caixa multibanco, pôde sempre escolher entre levantar em Libras, ou em Euros. O que nos foi muito útil, por não termos de carregar grandes quantidades de dinheiro sabe-se lá por onde, arriscando-nos a ficar sem ele. O Aeroporto ficava em Gatwick, por esse motivo, apanhámos um comboio para Victoria, que fica mais no centro da cidade. Demorámos cerca de quarenta minutos.



Em Victoria, existem muitas lojinhas e lugares onde comprar comida. E ainda bem, porque estávamos todos raivosos, de tão famintos! Encontrámos um lugar com Wraps e Sanduíches, onde decidimos comer qualquer coisa, só para não morrer de fome. Ia eu, toda contente, finalmente praticar o meu inglês britânico para comprar comida, e qual não é o meu espanto quando a senhora que me atende é portuguesa…! Pouca sorte, viajar para um país diferente, onde se fala uma língua totalmente distinta, e a primeira pessoa com quem eu falo é da minha terra. Tristeza... Foi uma simpatia, e ela gostou tanto de nos ver, mes mo sem nos conhecer, que nos ofereceu comida de graça. É certo que a data expirava dias depois, e eles iam fechar no fim de semana mas, ainda assim, acho que nunca comi um Wrap tão saboroso, sem pagar. Devorei aquilo em cinco segundos.

Pagar bilhetes de metro, comboio e autocarro, durante uma semana, para seis pessoas era imprudente. Foi por isso, e porque em Inglaterra tudo é comprado à semana, que fizemos um passe social para cada um. Desse modo, tivemos livre trânsito para utilizar qualquer transporte público (metro, comboio e autocarros de dois andares), pela zona delimitada, que, convenhamos, era bem grandinha. Foi rápido: tirámos as fotografias numa máquina, o senhor preencheu tudo à mão e ali tínhamos nós o nosso bilhete de ida e volta para todo o lugar.


Mind The Gap, Between the train and the platform – Eu estava habituada a metro, mas em Londres o metro é tenebroso. Em Lisboa, existem quatro linhas (azul, verde, amarela e vermelha), mas em Londres são quinze (Bakerloo, Central, District, Jubilee, Metropolitan, Northern, Piccadilly, tenho de escrever todas? Uff…). Carregados de malas, de cansaço, de fome e muita, muita, vontade de dormir ali num canto qualquer, fomos em busca do caminho de metro para o nosso HOTEL em Ponton Dock, que, na linha DLR, fica na periferia da cidade. Demorámos a compreender que, para passar de uma linha para a outra, era necessário sair em Tower Hill na linha District, ou na Circle, passar pela rua, e ir até Tower Gateway na linha DLR. Andámos meio perdidos durante alguns momentos. Sorte que a Isabel é viajada e soube sempre estar de olho no mapa do metro para nos informar aonde ir. Se fosse pelo meu pai, íamos dar a França, se calhar.

Quando por fim vimos o HOTEL (e uma cama), não acreditámos que era verdade. Ficámos em quartos triplos: eu com a minha tia e a minha prima, e o meu irmão com o meu pai e a Isabel, não podíamos dormir, o plano não era esse. Deixámos todas as malas sabe-se lá onde, não arrumámos nada, guardámos o básico nos bolsos e fomos embora novamente. Não estava muito frio, mas não parecia Verão. Parecia um Inverno de Portugal. Os táxis são pequenos carros pretos ou brancos, muito diferentes dos táxis em Portugal. Não nos atrevemos a apanhar um: deveria ser o preço dos meus olhos. Ou talvez mais.


Encontrámo-nos com o meu tio em uma rua com vários restaurantes, e acabámos por jantar lá, numa casa de hambúrgueres. A Isabel e a Sílvia pediram o tradicional fish and ships, mas eu, o meu irmão, a minha prima e o meu pai não. Tínhamos demasiada fome para comermos coisas estranhas. Provei do prato da Isabel e achei normal, nada de fantástico. É apenas peixe frito em óleo, com limão. E batatas fritas. Grande coisa… Não vale o alarido. Eu comi um hambúrguer com cebola e, claro, ovo! Não sou capaz de comer nenhum hambúrguer sem ovo. Nem batatas sem maionese. Interessante foi que, ao pagar a conta, a gorjeta vinha incluída. Dez por cento do pedido é gorjeta. Ninguém discute esse assunto: a conta já vem feita com ela. Somos moralmente obrigados a dá-la. O que, para um português que se preze, é quase inconcebível, mas demos o desconto. E reduzimo-nos ao estatuto de turista. Antes de voltar ao HOTEL, procurámos um daqueles bares onde os colegas de trabalho se encontram para beber cerveja: um PUB. Encontrámos um, e pedimos duas cervejas. Infelizmente, não permanecemos lá por muito tempo, porque a minha prima ainda não tinha idade para poder entrar. Eu não gosto de cerveja mas, como não quis ficar ao frio, entrei e provei. Não notei diferenças para a cerveja portuguesa, mas tenho a certeza de que o meu pai, o meu irmão e o meu tio (em suma, os bêbedos) notaram.

Fomos de metro para casa. Cansadíssimos de um dia em que não visitámos quase nada. Malas para cá e para lá, fome, sono. Não deu para mais. Mas ainda tínhamos mais seis dias pela frente, para visitar todas as atrações de uma das cidades mais impressionantes de todo o mundo. Boa noite a todos, desliguem a luz. Durmam bem. Já foi a Londres? Conte a sua experiência para nós!


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