• Júlia Orige

Como é morar em Florianópolis?



Ponte Hercílio Luz

Florianópolis, como capital do estado, é uma cidade grande. Atrai novos moradores porque tem uma boa qualidade de vida e é linda. Funciona como um paraíso da natureza e um grande centro.

Eu me mudei para Floripa no segundo ano do Ensino Médio, até então morava em Criciúma. Vim com meus pais, muito mais porque queríamos do que porque tínhamos de. Eu mudei de escola várias vezes e a Escola da Ilha foi a minha nona. Ficava bem perto do apartamento que compramos, era essa a razão.

Moramos na ilha, perto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Eu senti uma grande diferença, algo complicado de se quantificar, mas que muda tudo. Eu me senti muito mais livre. Achei pessoas com quem me identifiquei e já não me olhavam como a "menina estranha que veio da África e não usa roupas de marca".

A escola em si não era tão rigorosa, o que agradeci. O uniforme era apenas a camiseta e ninguém achava estranho que eu não acreditasse em Deus. Ainda era a escola e não posso dizer que gostei, mas foi menos traumatizante que as outras. Os professores eram bons, eram abertos a brincadeiras e estavam dispostos a ajudar.

O principal atrativo de Florianópolis para mim era o shopping. Nunca gostei muito de praia, então de nada adiantariam as 44 da ilha. Mas a cidade tinha shoppings infinitamente melhores que Criciúma, onde podemos facilmente trocar "shopping" por "galeria". Haviam cinemas bons e a Saraiva, oh, a Saraiva. É uma metrópole e eu gostei da ideia.

A UFSC esteve presente na minha vida em Floripa mesmo quando eu ainda estava no colégio. A universidade ocupa um grande espaço físico e imaginário. O campus é muito bonito, parece um parque e é gostoso andar por lá. Todos valorizam a UFSC e seus estudantes, afinal, não é fácil entrar. Há muitas outras universidades na cidade, para suprir as vagas que faltam na UFSC, mas ela é sempre tida como a melhor.

Como a grande maioria da população não nasceu em Florianópolis, não há uma "sociedade". Pelo menos não como a de Criciúma, com clubes e bailes de debutantes. Não ouço falar em tal coisa aqui. A ilha é dos universitários, dos trabalhadores e dos turistas. O imaginário de povo desterrense é o manézinho (nativo, pescador, descendente de açorianos), o universitário longe da família e quem vem pra trabalhar e acaba ficando porque a qualidade de vida é boa.

Assim se forma uma sociedade menos supervisora da vida alheia. Acho que a tolerância é uma característica marcante na cidade. Porém, eu vivo muito nos ambientes universitários, o que pode se tornar facilmente uma bolha de arco íris ideológica. Talvez ela não reflita a sociedade em geral, mas por si só já a determina.

Eu gosto de morar em Floripa. Tem tudo o que uma cidade grande tem de bom (comércio, bibliotecas, gente com mente aberta), sem o pior da cidade grande (violência). Mas a estrutura é um problema. A urbanização não é pensada, não tem capacidade para suportar todo mundo. Isso se agrava no verão, quando a ilha fica com cerca de dois milhões de habitantes, contra os 500 mil durante o resto do ano. O resultado disso é falta de água, luz e algumas viroses.

Fazendo entrevistas e estudando para o IgualDesigual eu percebi que a maioria das pessoas acha que Florianópolis tem cara de cidade pequena. Também vi que é uma cidade, como a conhecemos, extremamente nova. Até 1960 só quem aqui vivia eramos descendentes dos colonizadores açorianos de 1746.

Em uma das entrevistas um engenheiro me falou "em Florianópolis as pessoas ganham mais status com conhecimento que com dinheiro". Achei interessante, de fato os estudos são muito valorizados e é fácil achar a ideia de que "Deus ajuda quem cedo madruga", ou seja, uma exaltação do esforço, do trabalho duro.

Se quiser saber mais sobre Floripa escrevi vários artigos aqui no IgualDesigual.

Galeria de Fotos de Florianópolis


Navegue pelo Quem vai e quem fica:
Receba dicas de viagem por email:
  • Instagram
  • YouTube
  • Pinterest
Páginas principais:
Atalhos: