• Júlia Orige

18ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa: diversidade



Dia 17 de junho de 2017 foi dia de colorir Lisboa. Apesar do sol e dos quase 40 graus, a Marcha do Orgulho LGBT contou com a presença de mais de 10 mil pessoas, segundo a RTP, e teve como tema principal a despatologização das identidades trans e a autodeterminação de gênero. Foram duas horas, do Jardim do Principe Real até a Ribeira das Naus. Duas horas muito coloridas, mas um tanto silenciosas.

A manifestação, apesar de focar nas identidades trans este ano, reuniu pessoas de todas as letras da sigla. E isso é incrível, considerando que normalmente o movimento LGBT é mais GGGG. Mas ao mesmo tempo fez a marcha calar. Afinal, como pode-se gritar pela luta do outro? Nenhum grito pegava. Porque, apesar de apoiar, eu não tenho o direito de gritar por direitos transgênero, ou contra o apagamento bissexual, porque eu não pertenço à esses grupos. A cada grito que se tentava puxar, muitos se calavam, não porque não apoiassem, mas simplesmente porque não podiam protagonizar. E isso está correto, o problema é que tira alguma da força da manifestação.

O que pedem esses rapazes de salto, essas meninas de cabelos curtos, e toda essa gente com purpurina em cima? Pedimos o que está nos cartazes, é claro. Mas ainda acho que podia ser dito. Eu como estrangeira não consegui me sentir no direito de falar nada, até porque tudo o que me veio a cabeça não pode se encaixar ao contexto. Apesar de que o "posso participar?" roda o globo.

Neste ano, o foco da marcha foi a autodeterminação de gênero e de corpo. Os objetivos principais da organização do evento são chamar a atenção para as questões médicas dos transsexuais e das crianças que nascem intersexo e passam por cirurgias não consentidas. Leia aqui o manifesto da 18ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa.

É o segundo ano em que o Governo participa oficialmente da marcha LGBT, representado em 2017 pela secretária de estado Catarina Marcelino. Apesar de seu discurso não ter sido muito bem aceito pelos manifestantes, Catarina afirmou que já existe um projeto de lei para facilitar a mudança de nome nos documentos. Hoje essa mudança é feita somente com um laudo médico o que é considerado invasivo e arbitrário.

Ainda que essa lei não esteja já consolidada, a secretária de Estado afirmou em entrevista à Luso, que "É muito importante porque temos uma legislação muito avançada. Temos a não discriminação por orientação sexual estabelecida na Constituição Portuguesa. Só há nove países no mundo que o têm".

Lisboa é considerada um destino turístico gay-friendly, há alguns estabelecimentos voltados para o público LGBT e muitos que toleram bem. Portugal tem, de fato, uma legislação avançada nesse sentido e há pouca violência física e explícita motivada por orientação sexual. Contudo, ainda há muito preconceito enraizado na sociedade e muita violência psicológica.

Veja algumas fotos da 18ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa no dia 17 de junho de 2017:



Antes da marcha começar, no Jardim do Príncipe Real.





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