• Júlia Orige

Adeus, universidade



A vida engole a gente. Eu não sei bem como ou porquê. Entre acordar e dormir o tempo passa. Essa foi minha última semana de faculdade, são quatro anos e meio sendo universitária. Nunca fui outra coisa senão estudante. Digo, sempre fui várias coisas, mas sempre também estudante. Nos últimos meses estive tão absorta em terminar esse ciclo, dar conta das coisas pra mim, e pra vocês, que mal tive tempo de prestar atenção aos meus amigos, a maioria deles do outro lado do mar, o que dificulta um pouco.

Eu não tenho o costume de falar o tempo todo com ninguém, mas eu me considero alguém com muita sorte por ter as pessoas que tenho em minha vida. Em Portugal há a tradição acadêmica das fitas. No fim da faculdade, cada formando tem uma lata de fitas de cetim, com o símbolo da universidade e várias cores. Na verdade na verdade quem define o que as cores irão significar é você, mas uma não muda: a fita preta é para queimar, com todas as coisas ruins da faculdade escritas nela.

As outras, coloridas, são para as pessoas próximas de você escreverem, sobre você. No dia da Queima das Fitas (pretas) cada formando tem uma pasta com as fitas coloridas. Talvez uma competição implícita para quem tem mais amigos, talvez.

A maioria das minhas fitas eu enviei ao Brasil, infelizmente não haviam fitas o suficiente para todos que são importantes para mim. Dei fitas para aqueles que eu considero meus melhores amigos, e claro, para minha família. E mesmo que nesse dia, na minha formatura, ou o que é equivalente a isso aqui em Portugal, eu não pudesse ter todas as pessoas que eu amo comigo, eu consegui reunir um pedacinho delas, em cetim. Eu sei que dei trabalho, fazendo eles escreverem e me mandarem correndo, e sei que ainda não consegui responder ninguém nem demonstrar o quanto foi importante pra mim ter aquelas palavras comigo, aqui de longe. Mas eu chorei tanto de felicidade por ter as pessoas que eu tenho comigo e as histórias que nós temos juntos.

Minha formatura foi estranha, antes do fim das aulas, em outro país, sem baile, com um monte de gente usando capas pretas. Teve pouca gente, mas gente que significa muito para mim. Meus pais e meu irmão vieram pra me ver, minha namorada estava lá e alguns amigos que eu conheci na faculdade, mas que eu quero que fiquem na minha vida. E assim termina minha faculdade, que começou em Florianópolis. Mesmo que só uma universidade fique no diploma, eu não posso deixar de considerar as duas para a minha formação. Tudo o que eu aprendi sobre jornalismo foi na UFSC e toda a teoria na UNL.

Agora, à minha frente, tenho muito trabalho por fazer. Tenho muitos planos e muito conteúdo no papel, que quero tornar realidade. Por isso, me aguardem.


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