• Júlia Orige

Zwinger, Dresden


Eu andei de um lado para o outro às voltas, tentando achar a entrada para a galeria de arte. De repente, parei, no meio daquele pátio, no meio do jardim nevado. Pretendia olhar em volta para localizar a porta. Mas parei. Parei porque o frio sumiu e a neve que caía não mais machucava. Parei porque estava ali. No meio daquele museu, na Alemanha, em Dresden, com violinos tocando. Parei porque precisava olhar, precisava sentir.

Eu amei. Amei a neve, a arte daquelas paredes erguidas em pedra. Amei os turistas que andavam por ali. Amei aquela moça que tocava violino nas escadas com paixão. A beleza que tinha aquele momento me preencheu. Foi um instante que durou uma vida. Eu amei a mim mesma ali.

O museu foi construído para rodear uma praça, um jardim. Cumpriria muito bem a função de palácio, se o quisesse. Tudo era pedra. Uma ponte levava ao interior, passando pela água congelada de um rio. A energia ali era beleza, era amor. E o amor é uma ilusão que vale a pena.

Eu girei em torno de mim mesma, devagar, tentando absorver tudo o que a atmosfera me dava. Ali eu poderia dançar. Poderia fazer qualquer coisa, porque naquele momento eu tinha força.

Achei a entrada. Meu coração palpitou lá dentro. Dentro da galeria de arte encontrei aquilo que busco incessantemente o tempo inteiro: inspiração. Senti que seria capaz de fazer algo tão extraordinário quanto o que estava lá dentro.

Era como se cada pincelada falasse comigo, vibrasse. Meu corpo tremia a cada nova obra que meus olhos alcançavam. Eu desejava conversar com os quadros, entender como foram feitos, estar lá quando foram pintados. Queria saber a história de cada um. Além de arte, os quadros guardam a história da humanidade.

Lá dentro eu posso dizer que fui feliz.


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