• Júlia Orige

Praga, relato de viagem



Eu sou suspeita. Todas as cidades que eu visitar sempre irei dizer que são incríveis e que tem muita história, afinal, o mundo todo tem e eu valorizo todos os tipos de cultura. Praga não é uma cidade com muitas atividades, como Paris ou Berlim. Praga é um museu a céu aberto e é preciso ter algum conhecimento para entendê-lo. Praga é uma cidade muito antiga, que fez parte do Império Romano, foi lar de gênios da física como Kepler, queimou algumas bruxas, teve alguns católicos jogados pela janela, foi lar de muitos dos judeus que morreram no holocausto e foi parte da União Soviética durante a Guerra Fria. Apesar de não ser dos destinos mais famosos, ao menos para os brasileiros, Praga é simplesmente lotada de turistas. Acho que eu nunca peguei tanta fila na minha vida. E olha que eu já fui ao Beto Carrero no verão. Com a escola. Assim que eu cheguei descobri que no meu quarto do hostel estavam mais 3 brasileiros, o que foi ótimo, recebi várias dicas úteis e fiz amigos. Infelizmente foi tarde para a troca do cambio, onde eu fui praticamente assaltada. Ainda estou triste. Como cheguei via trem, de Berlim, achei que o melhor seria trocar meu dinheiro na estação, assim não corria o risco de ficar sem dinheiro para comprar uma água ou comer. E tinha que pagar o hostel, que só aceitava pagamento em dinheiro. Pensei. Pensei. Analisei a máquina de tirar dinheiro automaticamente. Fiz uma simulação. E achei que o câmbio estava desfavorável no caixa eletronico. Eram 23 coroas tchecas por 1 euro. E na agência de câmbio dizia 25. Fui até lá e bem feliz fiz a transação. Assim que recebi o recibo vi que tinha pago 20% de comissão. E nem tinha como reclamar, tava escrito na porta da agência. Cuidado com a burra. Passei tanta raiva que nem sei. Mas, se você for a Praga em algum momento, não troque na estação nem no aerporto. Você não vai morrer porque eles aceitam euros em tudo quanto é canto, só que a cotação é ruim, se você pagar em euros ou no cartão de crédito (vem o imposto depois). Mas dá para chegar ao centro da cidade e trocar num cambio sem comissão e por 25 ou 26 coroas o euro. Tranquilamente. Praga é das cidades que mais tem pegadinha para turistas. Não é uma cidade muito cara, comparada com outras cidades da europa. Dá para comer bem por menos de 10 euros. Mas, para quem tá sem dinheiro de qualquer forma, arranjando-se um hostel com cozinha, você consegue sobreviver legal. Evitando os restaurantes inflacionados prontos para os turistas desavisados. Um dos maiores problemas é a lingua, mesmo que em todo lugar se fale ingles, os cardápios não estão em inglês. E os que estão são dos restaurantes que eu não quero entrar, porque são caros. E não dá para entender nada, mesmo. Não tem semelhança com ingles ou qualquer língua latina. O grande cartão postal de Praga é o rio Moldava. Há poucos lugares mais belos no mundo do que a beira do rio, com a vista da ponte, da cidade e do castelo. É uma vista que lembra uma bela Idade Média, se é que isso existiu. Vi alguns casais batendo fotos para o casamento ali, as 7 da manha, quando ainda não haviam mais turistas do que se pode contar. Confesso que fiquei com vontade de fazer fotos de casamento também. E para quem quer que queira casar comigo algum dia, a lua de mel será em Praga. Eu cheguei aqui sem saber nada da cidade e fiquei um pouco perdida nos primeiros dias. A minha sorte é que escolhi passar 6 ou 7 dias em cada cidade nessa viagem, para poder me acostumar ao local e ter tempo de trabalhar e passear. Eu não estou de férias, mas felizmente meu trabalho me permite estar em qualquer lugar do mundo. Desde que eu tenha tempo de sentar escrever sobre o que me pedirem. Para isso Praga é muito boa, todo lugar tem cafés incríveis com wifi e ninguém te olha torto por ficar ali durante 3 horas com o computador. E nem precisa recorrer ao Starbucks, que eu amo porque o wifi é grátis e eu posso ficar bastante tempo, mas os cafés me dão sono. Também não sei o porquê. Dizem que viajar sozinho é conhecer a si mesmo. Isso eu não sei. Talvez eu já conhecesse a Júlia. Mas tenho conhecido pessoas incríveis pelo caminho. Com aquela certeza leve de que não as verei novamente, mas que podemos passar bons momentos juntos. Eu gosto desse conceito. Que não é ser frio e não se apegar a ninguém, que também não é colocar esperanças irrealistas em cima de algo que nunca pode acontecer. Aproveitar o momento sem buscar um futuro, porque de fato não há. Tem sido ótimo para falar inglês, apesar de eu não o fazer muito bem. Mas acredito sempre que o diz se está errado ou não é a capacidade de se comunicar e não a perfeita ortografia e dicção. Se você pode entender o que eu digo, então está certo. E por isso também não faz sentido diminuir alguém pelo seu sotaque ou corrigir coisas desnecessárias. Voltando a Praga, não fiz grandes maratonas aqui. Visitei o bairro e museu Judaico, com as sinagogas antigas e o cemitério do século 13, que é incrível. Fui ao castelo de Praga, das partes mais antigas da cidade, com a Catedral de St Vitus. Ao parque Petrin, onde dizem as lendas que se sacrificavam virgens aos deuses pagãos, antes do rolê da inquisição. E passeei muito por ai. Amanhã pretendo ir ao Mosteiro Strahov, onde tem uma biblioteca incrível do século 17. Apesar de não poder entrar de fato nela, as tours são privadas e marcadas com antecedencia. E eu não fiz isso.

#europa

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