Como eu ganho dinheiro como blogueira de viagem?
- 30 de jun.
- 8 min de leitura

Ser blogueira de viagem parece um sonho - e é, era o meu - mas não posso te dizer que é um trabalho fácil. Ele é mais divertido e recompensador do que a maioria dos trabalhos, ele viabiliza meus sonhos e paga pela minha vida. Eu sou muito realizada criando conteúdo, mas tem vários desafios que eu tive que vencer e muitos com os quais eu ainda lido no dia a dia.
Esse texto é pra quem tem curiosidade de saber como funciona o meu trabalho e pra quem tá pensando em ser meu colega de profissão. Trabalhar como blogueira de viagem é um tanto solitário e pode ser bem confuso. Pra ser bem sincera com você, eu não faço ideia de quantas blogueiras usam os mesmos métodos que eu, se a estratégia é parecida ou se é completamente diferente. Eu fui trilhando meu caminho e descobrindo as coisas conforme elas iam sendo criadas, inventando meus próprios métodos e sobrevivendo como deu.
Como eu me tornei uma blogueira de viagem que ganha dinheiro
Não fiz um curso de blogueira, nem consegui absolutamente ninguém que me guiasse. E eu tentei. Quando eu tive a primeira oportunidade de transformar meu conteúdo em trabalho remunerado, em 2018, eu fui atrás de deus e do mundo. Mandei mensagem pra todas as blogueiras que eu conhecia, pra todas as agências de influencers que eu via, mentores que se diziam especialistas... tudo em busca de ajuda, de uma luz que me dissesse pra onde ir.
Ninguém me respondeu - a não ser um tal mentor de influencers que me cobrou uma consulta e estava dormindo em pé durante essa consulta. E tudo que ele me disse era que eu deveria focar no meu "talento natural", que na cabeça dele seria uma palavra-chave: aceitação. Porque, claro, ser uma mulher minimanente a vontade com seu próprio corpo te torna uma musa da autoestima e isso deveria ser explorado.
Mas eu não queria ser blogueira de autoestima. Eu estar fora do padrão e me sentir no direto de existir é apenas um traço da minha personalidade, não aquilo sobre o que eu quero falar. Desde o início eu quis falar de viagem.
O meu desafio não era criar conteúdo, ter alcance ou engajamento. Eu sabia fazer isso - e abandonei esse caminho pra focar no que pra mim era mais importante naquele momento: fazer dinheiro. Porque por mais que engajamento seja legal e empolgante, ter +999 DMs não respondidas não paga as suas contas.
Eu sei, eu já estive lá. Já tive muito mais seguidores do que eu tenho hoje, cheguei à 213 mil no Instagram, já tive um engajamento invejável e visualizações absurdas nos stories. Mas eu estava completamente quebrada financeiramente. Isso me travava demais, porque como eu ia criar conteúdo de viagem se viagem custa caro?
E ser blogueira de viagem é um dos nichos que mais gasta. É um dos conteúdos mais caros que tem. Isso significa que o seu lucro acaba sendo muito baixo no começo e o investimento é altíssimo.
Hoje eu ganho mais do que 99% da população brasileira - mesmo sendo uma blogueira média, muito longe de ser grande - sustento minha vida, minhas viagens, meus gatos, minha família e minhas funcionárias. Mas mesmo vendo muito dinheiro rolar, eu não tenho as reservas e coisas da vida regular que outras pessoas que ganham muito menos tem. Porque meu dinheiro vai em grande parte para viajar, não pra trocar de carro, ou comprar casa ou redecorar casa, etc.
Mas é claro, eu tenho 29 anos e já viajei pra 24 países - alguns repetidas vezes. Ano passado eu passei - somando tudo - 5 meses fora do Brasil. Eu tô vivendo hoje aquilo que eu sonhei com 17 anos e que me fez começar um blog no primeiro semestre de faculdade.
Hoje meu alcance e engajamento chegam a ser um pouco ridículos, às vezes eu mesmo me questiono como que tem tanta gente usando as minhas dicas de viagem (clicando nos meus links, usando meus cupons, comprando aquilo que eu indico) com métricas tão baixas?
Eu perdi mais da metade dos seguidores que conquistei naquele primeiro momento. Mas nem posso me importar muito, porque o conteúdo que eu faço hoje paga minhas contas. E todo aquele engajamento não pagava. Eu ainda estou no caminho e espero que eventualmente eu consiga juntar as duas coisas, porque se eu juntar os meus métodos de hoje com o alcance que eu tinha antes, meu bem, eu vou dar 3 voltas ao mundo em um ano.
O resumo da ópera é: saber criar conteúdo e engajamento é completamente diferente de saber ganhar dinheiro com conteúdo.
Com engajamento a gente consegue publis, é verdade. Eu fiz muitas e ainda faço quando elas batem na minha porta, mas não vou atrás. Porque pra mim publis dão dor de cabeça.
Eu tenho muita ansiedade social - muita - e lidar com as negociações, aprovação de marca e idas e vindas de conteúdo me mata. Além disso, de forma geral, as marcas pagam super pra frente. 60, 90 dias após a emissão da nota fiscal. Isso significa que além de esperar muito pro pagamento eu ainda tenho que pagar o imposto antes que eles me paguem.
É muito legal quando é uma marca que me dá "status". Já fiz publi pra Nívea, por exemplo. Pô, eu jamais recusaria uma publi pra Nívea! Imagina, uma marca internacional achou meu conteúdo legal pra se associar ao meu nome. Mas depender dela pra viver é outros 500.
Hoje, com o engajamento que eu tenho, eu consigo cobrar cerca de R$ 1500 por vídeo. Eu disse que meu engajamento é ruim. Mas eu sei que faço mais do que isso de conversão por vídeo, porque eu trabalho principalmente com programas de afiliado e isso me dá acesso à estatísticas de conversão.
Cobrando por conteúdo eu jamais chegaria nos ganhos que eu tenho hoje, a não ser que eu inventasse algum milagre e mantivesse um engajamento lá no alto. Só que isso quase sempre significa se abrir muito, postar conteúdos pessoais, se expor e estar nos stories o tempo inteiro - essa é a pior parte pra mim.
Pra driblar o medo de falar com gente e o peso emocional que é criar conteúdo muito pessoal (é o que mais me deu engajamento até hoje) eu montei uma estratégia de trabalhar por comissão.
Programas de afiliado de viagem
Eu comecei me inscrevendo em todos os programas de afiliado de viagem que eu via pela frente. Booking, GetYourGuide, Seguros Promo, Skyscanner...
Todos. Eu estou inscrita em todos. Ai eu fui vendo coisas anexas: Amazon, Mercado Livre pra indicar malas de viagem, por exemplo. O que eu poderia inserir num contexto viajante? Acessórios, mochilas, roupa...
Me inscrevi em tudo que eu podia e fui testando. Inclusive em marcas concorrentes entre si, porque isso me dá liberdade de escolher divulgar o produto que eu mais gosto de verdade. E como os pagamentos são por conversão e não fixos, eu que faço o investimento inicial. Eu compro os produtos pra testar, ou contrato o serviço etc.
Dessa forma eu consigo ser mais honesta com meus seguidores, porque não tenho uma relação de obrigação com as marcas que me pagam.
Claro, isso requer que eu arrisque meu dinheiro primeiro, para ser paga depois - se converter. Corro o risco também de comprar/viajar e não gostar do serviço, acabar não conseguindo postar porque não vou postar algo só pra falar mal e jogar o investimento fora.
Mas esse é um risco que eu estou disposta a correr, porque a recompensa é boa. E porque hoje eu já sei que dá muito resultado.
Primeiro eu estava inscrita em dezenas de programas de afiliados de viagem, mas recentemente eu descobri uma plataforma que junta tudo e tem me ajudado a gerenciar isso principalmente aqui no blog. É a Travelpayouts, eu vi um post no Instagram falando deles e resolvi me inscrever e migrar pra ela.
Ela tem vários programas juntos - e isso é ótimo porque tem coisas que a gente ganha pouco e com o Travelpayouts esse pouco junta nos outros e vem um pagamento só. Tipo o Tripadvisor que paga centavos.
E também facilita muito a vida na hora de criar links, fica tudo num só lugar.
Mas o que eu achei mais incrível é que eles tem um sistema de IA chamado Drive, que converte automaticamente os links do seu blog pra links de afiliado. Então eu não precisei mudar nada manualmente - das centenas de links que tem aqui.
Ele inclusive identifica no meu texto palavras-chave que poderiam levar a uma oferta de parceiros e linka ela automaticamente. É uma ferramenta que otimiza as conversões e a gente só clica em um botão.
Isso tem facilitado bastante a minha vida na monetização do blog, que na minha opinião é o melhor lugar pra ter links de afiliado que só dão comissão através do link, sem cupom de desconto.
Se você tem um blog de viagem ou quer começar um, se cadastre no Travelpayouts nesse link aqui e ganhe até US$ 100 de bônus.
Ele é ótimo concentrando os programas de afiliados gringos, que pagam em dólar.
Como vender com programas de afiliados no Instagram?
Acho que o maior desafio de trabalhar com programas de afiliados como blogueira de viagem é que por via de regra eles são via link, ou seja, a venda é rastreada com comissão pra você quando a pessoa clica no link de afiliado e faz a compra nesse link.
Isso é um problema pra quem trabalha com o Instagram ou o Tiktok como principal plataforma. Porque nenhum dos dois permite link nas postagens e porque na hora de clicar no link na DM, ser redirecionado pro navegador e possivelmente pro app, esse rastreamento se perde.
Isso sem contar com as pessoas que veem os vídeos no celular mas compram as coisas no computador, ou pedem pro pai comprar, pro namorado, pra esposa...
Um cupom de desconto resolve isso. Porque não interessa onde a pessoa vai comprar ou se algum problema técnico vai perder o link. Todo mundo quer desconto, então a pessoa vai usar o cupom em qualquer dispositivo ou navegador ou app.
Apesar de usar também programas que são via link, para posts no Instagram e Tiktok eu dou preferência para programas que tem também cupom de desconto. Mas também uso muito o Manychat pra enviar links pela DM.
Nesse post aqui, por exemplo, eu fiz uma avaliação de várias mochilas e pedi um comentário pra eu enviar os links por mensagem:
E coloquei os cupons das bolsas que tem cupom direto no site oficial.
Apesar de acontecer muito do link se perder, no fim das contas é melhor que nada. E as redes sociais são bem mais rápidas pra alcance do que o blog, ainda que o blog dê muito retorno a longo prazo.
Além dos programas de afiliado eu também faço publis, quando elas batem na minha porta, não arrisco depender delas pra pagar minhas contas. Com os afiliados eu tenho mais controle sobre meus ganhos e acho mais fácil de trabalhar.
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Eu também tenho alguns infoprodutos aqui na lojinha do site e ofereço roteiros de viagem personalizados. Mas vou ser bem sincera, eu não vendo muito nenhum desses. São vendas lentas e eu não invisto muita energia nelas, porque acabam me dando mais trabalho do que retorno financeiro.
Os roteiros de viagem demoram muito pra serem feitos, adicionei esse produto no meu catálogo porque sinto que as pessoas que viajam com um roteiro meu criam uma ligação super forte e isso é muito legal. Mas financeiramente não representa muito da minha renda.
Eu abro algumas vagas por mês e se eu tiver viagem pra fazer eu acabo abrindo menos vagas, porque não compensa tanto.
O que sustenta a minha vida são basicamente programas de afiliados diversos.
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