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  • Júlia Orige

Padrão dos Descobrimentos: quem são as figuras no monumento à beira do Tejo?


padrão dos descobrimentos lisboa

O Padrão dos Descobrimentos é um dos notáveis monumentos em homenagem às Grandes Navegações. Ele fica na região de Belém, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Era dessa praia que saiam as caravelas e naus em busca de novas aventuras.


O monumento fica à beira do Rio Tejo e para visitar por fora é gratuito, se quiser subir ao miradouro o ingresso custa 6 euros, sem descontos, incluindo a visita à exposição de dentro do Padrão dos Descobrimentos.


É um ótimo passeio para ser combinado com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém no seu roteiro de Lisboa. Ali perto também fica a famosa confeitaria dos Pastéis de Belém, dê um pulo lá para experimentar o mais tradicional dos doces portugueses.


Construído pela primeira vez em 1940 para a Exposição do Mundo Português, o Padrão dos Descobrimentos foi refeito em 1960, em pedra. Isso porque a primeira versão da construção foi feita em cimento, pensada como temporária.


Ele tem o formato de uma caravela, com as estátuas rodeando como se estivessem se enfileirando na proa do navio. São 33 figuras que participaram ativamente na história das Grandes Navegações portuguesas.


Em frente ao Padrão dos Descobrimentos fica uma enorme rosa dos ventos, desenhada em pedra no chão. É um dos exemplos incríveis de calçada portuguesa, com um padrão igual ao do calçadão de Copacabana no Rio de Janeiro, rodeando o mapa mundi das Grandes Navegações.


Rosa dos Ventos em frente ao Padrão dos Descobrimentos

Essa rosa dos ventos foi um presente da África do Sul para Portugal, no 500º aniversário da morte do Infante D. Henrique, o Navegador, em 1960.


D. Henrique foi o 1º Duque de Viseu e o primeiro grande incentivador das navegações, por isso ele é conhecido como O Navegador. É ele quem encabeça o Padrão dos Descobrimentos e guia todas as outras figuras para desbravar o novo mundo.


Quem são as figuras representadas no Padrão dos Descobrimentos?

São 33 figuras ao redor do monumento, lideradas por D. Henrique, que aparece perfeitamente dos dois lados. Para conseguirmos visualizar quem está ali representado, vamos separar em lado oeste e leste, ou seja, direita e esquerda de quem olha pro Rio Tejo.


Lado Oeste (Direita)

figuras no padrão dos descobrimentos
Lado Oeste
Da ponta pra baixo:
D. Henrique, O Navegador

Conhecido como Infante de Sagres, ou O Navegador, Dom Henrique de Avis foi Duque de Viseu e Senhor da Covilhã. Era o quinto filho de D. João I, rei de Portugal e de Dona Filipa de Lencastre, que está do outro lado do Padrão dos Descobrimentos.


D. Henrique teve um papel importantíssimo nas Grandes Navegações, convencendo o rei a montar a campanha para a conquista de Ceuta, em 1415.


A cidade fica na costa norte da África, perto do estreito de Gibraltar. Estando sob domínio português tornou muito mais fácil manter as rotas marítimas de comércio no Atlântico.


D. Henrique foi também administrador da Ordem de Cristo, ou seja a ordem dos jesuítas, responsável pelas catequisações depois nos países conquistados.


Durante a sua vida foram descobertas as ilhas dos Açores e da Madeira, que eram completamente inabitadas. A exploração dessas regiões ficou sob a sua responsabilidade.


Foi ele que mandou construir a pequena capela que existia antes no local onde hoje é o Mosteiro dos Jerónimos.


D. Fernando, O Santo

Irmão de D. Henrique, Fernando, o Santo foi o oitavo filho de D. João I.


Se dedicou à vida religiosa desde cedo, mas em 1437 participou de uma expedição militar no Norte da África.


Nessa expedição ele foi preso como refém em Fez, onde passou o resto dos seus dias. Sua morte foi tida como um sacrifício pelos interesses nacionais.


João Gonçalves - navegador

Foi um navegador e cavaleiro, escolhido por D. Henrique para administrar a Ilha da Madeira a partir de 1425.


Gil Eanes - navegador

Foi o primeiro navegador a dobrar o Cabo do Bojador em 1434.


Pero de Alenquer - navegador

Foi um piloto náutico, pilotou a caravela que levou Bartolomeu Dias a atravessar o Cabo da Boa Esperança.


Pedro Nunes - matemático

Pedro Nunes ocupom o cargo de cosmógrafo-mor em Portugal, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da navegação teórica. Ele inventou diversos instrumentos para tirar medidas cartográficas.


Pero Escobar - navegador

Navegador responsável por descobrir as ilhas de São Tomé, Ano bom e Príncipe. Ele também esteve na primeira viagem de Diogo Cão, na viagem de Vasco da Gama pra Índia em 1497 e na viagem de Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil.


Pero da Covilhã - viajante

Foi um diplomata e explorador português. Seu principal trabalho foi negociar e estabelecer relações com a Índia.


Jácome de Maiorca - cosmógrafo

Cartógrafo catalão (espanhol da região da catalunha, ali por Barcelona) que coordenou as descobertas marítimas da Escola de Sagres.


Gomes Eanes de Zurara - cronista

Ele foi guarda-conservador da Livraria Real e Guarda-mor da Torre do Tombo.


Ele escreveu crônicas sobre a realeza e os descobrimentos, encomendadas pelos próprios infantes.


Obras escritas por Gomes Eanes de Zurara:

  • 1450 - "Cronica del Rei D. Joam I de boa memória. Terceira parte em que se contam a Tomada de Ceuta" (Lisboa, 1644)

  • 1453 - "Cronica do Descobrimento e Conquista da Guiné", também chamada «Crónica dos Feitos da Guiné» (Paris, 1841)

  • 1463 - "Cronica do Conde D. Pedro de Menezes" (in: Inéditos de Historia Portugueza, vol. II. Lisboa, 1792)

  • 1468 - "Cronica do Conde D. Duarte de Menezes" (in: Inéditos de Historia Portugueza, vol. III. Lisboa, 1793)

Nuno Gonçalves - pintor

Sobre Nuno Gonçalves se tem poucas informações, muitas de suas obras foram perdidas ao longo do tempo. A principal na catedral de Lisboa foi destruída no terremoto de 1755.


O painel de São Vicente, que está aqui embaixo, esteve perdido até 1882. Hoje ele está no Museu Nacional de Arte Antiga.

nuno gonçalves pintor
Painéis de São Vicente de Fora

Luís de Camões - poeta

O grande escritor português do século 16: Camões escreveu Os Lusíadas, a grande epopeia sobre as navegações portuguesas, que eternizou a aventura de Vasco da Gama.


Além de Os Lusíadas, Camões escreveu poemas, inclusive um que eu tenho certeza de que você conhece:


Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;

é nunca contentar-se de contente;

é um cuidar que ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, lealdade.


Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor


Hoje Luis de Camões está enterrado no Mosteiro dos Jerónimos, na parte da Igreja de Santa Maria de Belém, lado a lado com Vasco da Gama.


Frei Henrique de Coimbra

Frade e bisco português, ele foi missionário na Índia e na África. Viajou na frota de Pedro Álvares Cabral, em 1500.


Frei Gonçalo de Carvalho

Foi um religisoso da Ordem dos Dominicanos. Ele foi para a Índia, criar comunidades católicas e levar a fé para os infiéis.


Fernão Mendes Pinto - escritor

Além de escritor, Fernão Mendes Pinto foi também um jesuíta e explorador. Ele fez parte de uma das primeiras expedições portuguesas para o Japão.


Ele escreveu "Peregrinação", obra onde conta de suas aventuras no ultra mar, especialmente na Ásia.


A obra foi bem censurada pela Inquisição.


D. Felipa de Lencastre

Filipa foi rainha de Portugal de 1387 à 1415. Ela era uma princesa inglesa da Casa de Lencastre.


Ela casou com D. João I e faleceu pouco antes da expedição à Ceuta, de peste negra. Ela foi mãe de D. Henrique.


D. Pedro, Duque de Coimbra

Pedro foi um dos filhos de D. João I e Filipa de Lencastre, viajou muito durante a vida, tendo participado da conquista de Ceuta, ido à Terra Santa e à vários países na Europa.



Lado Leste (esquerda)

Da ponta pr