• Júlia Orige

Como eu vim parar em Lisboa



morar em lisboa

Acho que eu sempre fui teimosa. Quando coloco alguma coisa na cabeça, eu faço de tudo para conseguir chegar lá. Mas claro, é preciso conhecer algo para o querer. E para explicar porque eu quis vir morar em Lisboa eu tenho de contar ao menos uma parte da história da minha vida. Eu sou de Criciúma, ou ao menos fui quando nasci, no sul do sul do Brasil. Morei no meio do mato, em Cocal do Sul até os meus dez anos, quando de lá, saltei não pra cidade vizinha, mas para África. Um salto e tanto. Um dos mais fantásticos de todos.

Desde aí tenho dado outros saltos, uns com meus pais e uns sozinha. Vivi dois anos em Angola, mas foi o suficiente para marcar todo o resto do meu futuro. Estive pela primeira vez em Lisboa em dezembro de 2007. Meu pai se apaixonou pela capital de Portugal. E eu também. Acho que eu quero o mundo todo, mas eu sou mais apaixonada pelas palavras do que sou pelo mundo. Mesmo que a disputa seja acirrada. Lisboa é o encanto e a língua que eu amo.

Sempre gostei de história. E de Harry Potter. Em uma das vezes que minha mãe esteve em Portugal ela me levou um livrinho sobre a universidade de Coimbra, com seus prédios que parecem castelos e os trajes e capas dos alunos. Coloquei na cabeça que queria estudar em Coimbra. Mas eu tinha 15 anos e isso era longe demais. Fui consumida pelo mundo do vestibular e aos 17 anos entrei na Universidade Federal de Santa Catarina, para Jornalismo.

Veja bem, eu nunca quis ser jornalista. E mesmo que hoje me sinta capaz de o ser, não sei se devo. Eu queria, quero, ser escritora. Vi ali, não sei bem como ou com que lucidez, uma oportunidade de aprender a escrever bem. Não me arrependi e continuo acreditando que estudar jornalismo é uma das melhores formas de aprender a escrever.

Tranquei meu segundo semestre de faculdade para acompanhar minha mãe em alguns meses de doutorado-sanduíche que ela fez em Lisboa. Sim, eu só fiquei passeando. Digamos que eu namorei um pouco também. Passei 5 meses conhecendo Lisboa e um pouco da Europa também. Tive tanta sorte de poder fazer isso.

Voltei para UFSC, para Florianópolis e para o Jornalismo. Mas continuei com Lisboa na cabeça. Apesar de amar a minha ilha da magia, e de ter um carinho imenso pela bolha de arco-íris em que eu estou/estava inserida lá. A UFSC foi a melhor faculdade que eu já vi, pelo menos pro meu curso, e a melhor que eu poderia ter entrado. Mas eu não sabia disso. Sou teimosa e o que me seduziu foi a cidade, não a faculdade.

Tudo o que eu sabia da Universidade Nova